Quem diria que um token, o espaço e um brasileiro estariam conectados numa mesma ação de marketing. Pois foi o que presenciamos no início deste mês com a iniciativa da Crypto Space Agency (CSA), que sorteou uma viagem espacial para quem investisse numa NFT da agência. O grande felizardo que viajou no quinto voo tripulado da empresa Blue Origin foi Victor Hespanha, engenheiro de produção de Belo Horizonte.

Essa tendência de acompanhar as inovações tecnológicas para elaborar novos meios de impulsionar os negócios é premissa fundamental para quem deseja estar competitivo no mercado. A todo momento os comportamentos se transformam e surgem outros modelos que passam a ditar as regras do que está em alta e do que não está.

Ter uma visão estratégica e aberta a experimentar as diferentes modalidades possíveis na realidade digital, numa disposição a pensar de modo plural, moderno e diverso, é essencial para quem deseja comunicar e ser ouvido nos dias de hoje. E os NFTs são uma tecnologia emergente, com uma grande abertura para as marcas explorarem.

O mundo NFT avança e ganhamos muito com a nova cultura de autenticações digitais. A popularidade da tokenização de ativos faz parte de uma tendência mundial que dá ao indivíduo a liberdade para produzir, armazenar e trocar valores sem necessariamente depender de agentes centralizados, como bancos, por exemplo.

Por ainda ser um mercado considerado novo e instável, gera desconfiança e resistência daqueles que não conhecem. Por isso a criatividade é uma grande aliada das empresas que desejam explorar todo o potencial com os NFTs. Avatares de filmes, faixas de música com direito a porcentagem dos royalties de streaming, comercialização de produtos no metaverso. Exemplos não faltam do que pode ser feito com os tokens não fungíveis.

Mas apesar de abrir portas para muitas evoluções, os desafios também são grandes. Isso porque ainda sabemos muito pouco de como será essa nova prática comercial. Basta fazer um exercício: o que sabíamos das redes sociais há 10 anos?

Segurança e transparência

Até agora sabemos que é um bom caminho para evitar fraudes e até fake news, dado o alto nível de credibilidade que ele confere ao item comercializado. Isso porque as NTFs são tokens únicos, irrepetíveis e não intercambiáveis que se referem a ativos digitais. Funcionam como certificado digital para atestar a originalidade via blockchain, tecnologia que permite uma conexão registrada e imutável.

É importante lembrar que quanto maior o uso desses novos recursos, mais atenção vão atrair dos criminosos e será preciso investir mais nas camadas de proteção para os usuários. Como os NFTs são negociáveis em criptomoeda, todo o ecossistema deve ter o mesmo grau de transparência, segurança e confiabilidade. E toda a cadeia envolvida precisa estar preparada para gerir eventuais crises e saber como devem agir em casos de incidentes de segurança da informação.

A inovação traz mudança de cultura e comportamento, como muitas oportunidades, mas também traz novos riscos. Principalmente, quando há impactos sociais relevantes que exigem padronização de práticas e delimitação clara de responsabilidades das partes envolvidas.

Por Patricia Peck, sócia-fundadora do Peck Advogados e professora de Direito Digital da ESPM.

Fonte: Proxxima

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