O último ano foi marcado por um feito memorável dentro da advocacia: pela primeira vez na história, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em seus mais de 90 anos, registrou um número de advogadas inscritas superior ao número de advogados. Com mais de 610 mil advogadas e uma taxa de aprovação de 18,9% — 0,4 ponto percentual maior que o gênero masculino, de acordo com dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) —, as profissionais protagonizaram um marco na história do Direito.

O aumento no número de advogadas também esteve refletido no anuário ANÁLISE ADVOCACIA. Após 15 anos de trajetória, a publicação, que em sua primeira edição contou com apenas 16 mulheres eleitas como Mais Admiradas, chegou à marca de quase 700. Quando falamos sobre áreas de atuaçãos, as Mais Admiradas estão concentradas na especialidade societária (18%); porém, quando se trata de ranking, em sua maioria, estão na área trabalhista. Em paralelo, o gênero masculino tem maioria presente e maior índice de reconhecimento na área cível.

Ainda que mais da metade (56%) das advogadas Mais Admiradas possuam mais de 20 anos de carreira e que sejam maioria no número de profissionais registradas na OAB, elas continuam sendo minoria em cargos de liderança. De acordo com a pesquisa respondida por escritórios Mais Admirados, mulheres ocupam menos de 35% dos cargos de CEO ou sócia-diretora; o levantamento também apontou os setores de recursos humanos (72%), diversidade (69%) e marketing (56%) como as áreas com mais mulheres atuando nas firmas de advocacia.

Por outro lado, dentre as advogadas reconhecidas no ANÁLISE ADVOCACIA MULHER 2022, estão profissionais que há anos ocupam cargos de lideranças dentro de escritórios, sendo grandes expoentes da advocacia nacional e vistas como referências por outras mulheres. Sobre a equidade de gênero, a advogada Patricia Peck, CEO e sócia-fundadora do Peck Advogados, afirma:

As bancas full service reúnem o maior número de advogadas no país (37%); dentro desta categoria, há destaque para inúmeras profissionais, e uma delas é Barbara Rosenberg, sócia do Barbosa Müssnich Aragão (BMA). Doutora em Direito Econômico-Financeiro pela Universidade de São Paulo (USP), a advogada é referência em Direito Antitruste e figurou em todas as edições do ANÁLISE ADVOCACIA nos últimos dez anos. Com ampla experiência jurídica, esteve envolvida nas principais operações de M&A ocorridas no país na última década.

Referência em Direito Digital, uma das áreas que mais se popularizaram nos últimos anos dentro da advocacia, Patricia Peck mobilizou o mercado jurídico ao inaugurar, em 2021, o primeiro e único escritório de grande porte totalmente dedicado à transformação e à inovação digital. PhD em Direito Internacional, e International Research pela Max Planck e Columbia University, Peck é autora e coautora de mais de 30 livros sobre Direito Digital, além de ser programadora desde seus 13 anos.

Para as novas advogadas e formandas, a profissional deixa uma dica: investir em uma capacitação que seja um diferencial no mercado, principalmente se for relacionada às novas áreas de atuação que estão surgindo.

Já no tipo de atuação especializada, que reúne cerca de 30% das advogadas Mais Admiradas, Patrícia Fukuma é um dos destaques. A advogada, que conta com mais de duas décadas de experiência na área regulatória-sanitária para medicamentos, alimentos, produtos de saúde e cosméticos, revela que o principal aspecto de sua atuação, no início, foi acreditar que a área sanitária ganharia importância no escopo jurídico.

À frente de uma firma “hiper segmentada”, com inúmeras mulheres em sua equipe, Fukuma afirma que uma das principais mudanças que acompanhou no Direito foi a segmentação e o surgimento de áreas especializadas, que não existiam antes e que não são ensinadas dentro de universidades. Quando perguntada sobre o que precisa ser feito para uma possível equiparação de gênero no universo profissional, Fukuma aponta:

Ainda sobre a advocacia especializada, não poderíamos deixar de citar Leonor Cordovil. Sócia e uma das heads do escritório GCA – Grinberg Cordovil Advogados, a advogada e doutora em Direito Econômico pela USP conta com ampla experiência em atuações com Direito Concorrencial, Anticorrupção e Comércio Internacional.

Referência dentro de seu setor, Leonor fala sobre como suas escolhas do passado refletiram em seu crescimento até a posição de liderança dentro de uma das firmas de advocacia especializada mais reconhecidas no Brasil. Outro destaque apontado pela advogada é sobre a necessidade em mudar a visão estigmatizada sobre a maternidade; Leonor fala sobre o tratamento diferente às mães, afirmando que a esmagadora maioria das mulheres que conhece ficou muito mais eficiente depois de ser mãe.

Por fim, e tão importante quanto a não discriminação com mulheres que tiveram filhos recentemente, Cordovil comenta sobre o papel fundamental de mulheres em cargos de lideranças nos escritórios. Além de ser algo necessário para o crescimento da firma, a advogada também destaca como clientes enxergam a falta de diversidade em conferências:

O papel das mulheres nos avanços jurídicos tem se intensificado a cada dia. Hoje, é possível ver escritórios com total liderança feminina, e a tendência é que este aspecto continue a crescer.

Fonte: Analise

Write A Comment