Ao longo dos últimos dias, os termos #TwitterApoiaFakeNews, #TwitterOmisso, #TwitterCumplice e #TwitterVergonhoso foram hashtags que figuraram – algumas ainda estão, inclusive — nos trending topics do Twitter no Brasil.

Os principais motivos seriam a falta da opção para denunciar fake news sobre pandemia e a insatisfação com a verificação de contas de pessoas que costumam publicar notícias falsas.

Com base nisso, o Ministério Público Federal enviou um ofício no qual questiona a plataforma o motivo de não existir esse mecanismo para denunciar o que não foi verdadeiro.

“Informe se estão sendo adotadas providências para que tal funcionalidade de denúncia seja disponibilizada também a usuários brasileiros e, em caso positivo, qual o prazo previsto para sua implementação na plataforma”, pediu o MPF.

O Twitter tem o prazo de dez dias úteis para responder a contar desta quinta-feira (6). No entanto, antes disso, a plataforma se manifestou sobre o assunto. “O Twitter tem o desafio de não arbitrar a verdade e dar às pessoas que usam o serviço o poder de expor, contrapor e discutir perspectivas. Isso é servir à conversa pública”.

A plataforma informou ainda que leva “em conta critérios específicos para a tomada de medidas que vão desde sinalizar um tweet como enganoso até a suspensão permanente de uma conta”.

Sócia do Peck Advogados e membro titular do Conselho Nacional de Proteção de Dados, Patrícia Peck reconheceu que o Twitter criou políticas para restringir à desinformação relacionada a Covid-19, adotada no início da pandemia em março de 2020.

Peck: monitoramento constante em relação às notícias falsas (Divulgação)

“Contudo, é preciso que seja fornecida maior rigor a aplicação dessa política, ou seja, o Twitter deve cumprir o que estabeleceu e remover ou etiquetar os tweets com ‘fake news’ estabelecendo monitoramento constante para que a sua política seja realmente efetiva e capaz de combater a desinformação”, afirmou a advogada.

CELERIDADE
O Twitter informou que a ferramenta para denúncia de fake news na plataforma já está em teste nos Estados Unidos, Coreia do Sul e na Austrália. Marcelo Rodrigues, professor de gestão de crise da ESPM do Rio de Janeiro, destacou que as marcas precisariam se unir e pedir agilidade na ferramenta contra fake news.

“Vale as empresas se posicionarem pedindo celeridade ao Twitter por uma questão de precaução para a imagem delas”, afirmou.  “O Twitter está bastante atrasado em relação a isso, lembrando que estamos falando de uma rede social e da velocidade de propagação das notícias”, completou.

A plataforma, no entanto, afirmou que os testes precisam ser finalizados para, assim, serem disponibilizados a outros países.

Postado originalmente no Propmark.

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